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Ano lectivo 2020/2021: Sindicatos pedem calma e ponderação e DNE garante criação de condições

Os sindicatos de professores apelaram hoje à calma e ponderação do Ministério da Educação na reabertura das escolas, tendo a DNE tranquilizado que está a envidar esforços na criação de condições para que tudo decorra na normalidade.

Em declarações à Inforpress, a presidente do Sindicato Democrático dos Professores (Sindprof), Ligia Herbert, mostrou-se “preocupada” com o anúncio do arranque do novo ano lectivo prevista para 01 de Outubro, isto tendo em conta a evolução da situação epidemiológica no país.

 

“Estamos extremamente preocupados porque o ano escolar começou na segunda-feira e ainda não se divulgou todas as orientações e o plano de contingência para o ano lectivo. Falou-se de um plano de contingência nacional, mas nós temos que ter orientações para o início do ano lectivo”, frisou.

 

Para a sindicalista, o novo coronavírus veio mudar por completo a vida das pessoas, realçando que em Cabo Verde os números de casos do vírus não param de crescer, daí a necessidade de criação de um plano de contingência educacional para evitar o contágio e a propagação da doença no seio académico.

 

“É preciso saber qual é a modalidade que vamos utilizar para protecção dessas crianças, ouvir os sindicatos, a sociedade civil, quantas alunos vamos ter por sala, se as aulas serão feitas ao ar livre, serão presenciais, será que temos salas de aulas suficientes é preciso que o ministério abra o jogo ponha as coisas na mesa porque o sindicato é parceiro”, questionou.

 

De acordo com Lígia Herbert, as condições ainda não estão totalmente criadas, daí que o Sindprof sugere que as aulas se iniciem mais tarde e que se criem todas as condições, lembrando que o ensino à distância exige capacitação e disponibilização de materiais.

 

“O Ministério da Educação precisa de mais tempo, precisa preparar porque não se perde o ano, mas perde-se vida, é possível recuperar o ano, trabalhar os objectivos programáticos para que os alunos não percam as informações (…) chamar todos os parceiros para podermos trabalhar conjuntamente e ver o melhor caminho”, referiu, questionando, por outro lado, se o número de professores será suficiente para responder aos desafios actuais.

 

Por seu turno, o presidente do Sindicato dos Professores (Siprofis), da ilha de Santiago, Abraão Borges, apelou ainda ao Ministério da Educação, maior prudência na reabertura das escolas, envolvendo as autoridades competentes em matéria de saúde, segurança, parceiros locais da educação, pais, encarregados de educação e professores para avaliarem todos os cenários possíveis antes da sua efectivação.

 

Neste sentido, sugeriu que tendo em conta o contexto da pandemia do novo coronavírus, que todas as escolas estejam munidas de condições higiénicas e sanitárias bem como materiais de protecção para professores, funcionários e que seja garantida a higienização frequente, com lavagem das mãos, dos alunos e de todos que fazem parte do colectivo de uma escola ou agrupamento.

 

O sindicalista apontou a necessidade de se abranger a realização de teste de rasteio a todos os professores, alunos, funcionários das escolas, agrupamentos e delegações escolares a nível nacional antes do início das aulas, evitando o alastramento da pandemia na comunidade educativa.

 

A Siprofis, prosseguiu, aproveita a oportunidade, para apelar ao Ministério da Educação a resolução urgente dos pendentes, tais como o reenquadramento, mudanças do secundário para básico de um grupo considerável de professores de todo País.

 

Por seu lado, a directora nacional da Educação, Eleonora Sousa, afiançou que o ministério está a envidar os esforços na criação de condições para o arranque do novo ano lectivo, ressalvando, no entanto, que dependendo da evolução da situação sanitária do país o cenário poderá modificar-se.

 

“Queremos tranquilizar que o Ministério da Educação à semelhança do que fez na situação anterior da pandemia, com alto sentido de responsabilidade, está a analisar todas as situações porque é do interesse de todos que o ano lectivo decorra na maior tranquilidade e da melhor forma possível”, disse, salientando que o Ministério da Educação está em parceria com o Ministério da Saúde a trabalhar na procura de melhor solução para esta atípica situação.

 

Asseverou, por outro lado que o Ministério da Educação tem previsto um encontro com os sindicatos para informar os mesmos sobre as orientações e os diferentes aspectos do arranque do ano lectivo.

 

Eleonora Sousa apelou ainda ao engajamento de todos no encontro de melhores soluções, porque, sustentou, o Ministério da Educação reconhece a importância de os alunos estarem nas escolas e que os pais e encarregados de educação fazem parte desta solução.

 

Em Cabo Verde, estiveram matriculados para o ano lectivo 2019-2020 cerca de 12 mil crianças na educação pré-escolar, 114.883 na educação escolar pública, sendo 83.499 no ensino básico obrigatório (1.º ao 8.º ano) e 30.096 no ensino secundário (9.º ao 12.º).

CM/CP

Inforpress/Fim

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