título

Estudante crioula distinguida como melhor aluna do curso de Zootecnia no Brasil

Cristina Rodrigues fez o curso na Universidade Federal de Santa Catarina.

A jovem cabo-verdiana Cristina Rodrigues concluiu este ano o curso de Zootecnia e no dia da formatura, foi distinguida como a melhor aluna do curso da Universidade Federal de Santa Catarina, no Brasil. Em entrevista ao SAPO, a jovem explica como foi o seu percurso até à conclusão dos estudos.


Natural de São Domingos, ilha de Santiago, Cristina Filomena Afonseca Rodrigues é uma jovem apaixonada por animais, paixão que herdou dos pais que são donos do espaço Eco Centro em São Domingos. “Nasci e fui criada no interior e sempre tivemos animais em casa”, recorda.


Ao concluir o ensino secundário no Liceu Domingos Ramos (LDR) na cidade da Praia, Cris, como é carinhosamente chamada, recorreu ao Programa Estudantes Convénio de Graduação (PEC-G) para concorrer a uma vaga para o ensino superior no Brasil.


Medicina Veterinária era a sua primeira escolha, mas acabou por optar por Zootecnia. “Devido à parte cirúrgica, com a qual não me identificava, tive que pesquisar por outros cursos relacionados com animais e descobri a Zootecnia. De seguida, pesquisei quais seriam as áreas de atuação em Cabo Verde e, com a ajuda do meu pai, vi que era o curso ideal para mim”.


Em 2013, Cris viajou para Paraíba, um estado no nordeste do Brasil, para fazer o curso de Zootecnia. Apesar de ter sido “bem recebida” na Universidade Federal da Paraíba, conta que no ano seguinte mudou-se para a Universidade Federal de Santa Catarina, uma vez que não tinha contacto com outros estudantes cabo-verdianos no Brasil. “Não foi o que estava à espera. Sentia-me isolada”, afirma e explica que contou com a ajuda de uma amiga que estudava em Santa Catarina para fazer a transferência.


Após cinco anos a estudar no Brasil, a jovem de 24 anos concluiu este ano o curso de Zootecnia com a nota final de 8.15 e no dia da formatura, 30 de agosto de 2018, foi distinguida como a melhor aluna do curso de Zootecnia da Universidade Federal de Santa Catarina, no último semestre de 2018.


A distinção foi uma “surpresa” para Cris. “Não estava à espera. Esforcei-me para passar em todas as disciplinas. Foquei mais em mim e nos meus estudos, uma vez que, era uma aluna bolseira. A distinção é uma gratificação por todo o esforço que fiz durantes esses cinco anos no Brasil”, salienta e acrescenta que o gosto pelo curso a ajudou bastante.


Interesse pela cadeia produtiva de carnes em Cabo Verde


Nos últimos anos do curso, Cristina Rodrigues interessou-se pela cadeia produtiva de carnes no país, inclusive o seu trabalho de curso foi relacionado com o comportamento de consumidores de carnes em Cabo Verde: a sua percepção de qualidade.


“Inicialmente, queria fazer uma proposta de leis para a regulamentação do abate de animais em Cabo Verde. Abrangia a cadeia produtiva desde o animal no campo, ao transporte, o abate humanitário e os procedimentos após abate, mas a ideia era grande e o tempo curto. Acabei por optar em conhecer o perfil dos consumidores de carnes e mais tarde continuar esse estudo”, conta.


Questionada de que forma a área de Zootecnia pode ser aplicada na prática em Cabo Verde a jovem diz que apesar de ser um curso novo no Brasil, abrange várias áreas da produção animal, como a nutrição, melhoramento genético, gestão de propriedade, extensão para agricultores e famílias, reprodução, entre outros.


“Tendo em conta a situação climática de Cabo Verde, é necessário uma nutrição de precisão e animais geneticamente melhorados para que tenham melhor aproveitamento dos alimentos fornecidos ou melhor, que os animais consumam menos e ganhem mais peso e não o contrário”, diz.


Sobre planos para o futuro, a jovem diz que pretende regressar ainda no inicio deste mês (setembro) ao arquipélago e trabalhar juntamente com as autoridades cabo-verdianas competentes no setor da carne, melhorar a qualidade do produto fornecido aos consumidores e estudar estratégias para diminuir o abate clandestino de animais no país.


“Principalmente, pretendo melhorar o abate e consciencializar para o abate humanitário e a inspeção da carne. Acredito que tenho muito a desenvolver na área de Zootecnia em Cabo Verde”, conclui.

 

Cristina Rodrigues

07 de Setembro de 2018

 

Aline Oliveira/SAPO CV

 

 

 

Partilhe: Facebook Twitter