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IAO: Mestrado em integração regional arranca em Outubro de 2016 na Uni-CV

Este é primeiro mestrado sobre integração africana que existe na África Ocidental

Outubro de 2016 é a data confirmada para o arranque do mestrado em integração africana, uma iniciativa do Instituto da África Ocidental (IAO) em cooperação com o Centro de Estudos para a Integração Europeia (ZEI) de Bona (Alemanha).

 

A informação foi avançada à Inforpress pela directora-geral do IAO, Djénéba Traoré, que lembrou ser este um programa inovador e o primeiro mestrado sobre integração africana que existe na África Ocidental.

 

Informou que, ao abrigo de um protocolo de cooperação assinado entre o IAO e a Universidade de Cabo Verde (Uni-CV), em Julho de 2014, esta pós-graduação será ministrada nas línguas francesa, inglesa e portuguesa.

 

A mesma já foi validada pelo Conselho Científico dessa instituição de ensino superior, estando, actualmente, em fase de acreditação no Ministério do Ensino Superior, Ciência e Inovação, referiu.

 

Segundo a directora-geral do Instituto, a data inicial prevista era Outubro deste ano, mas alargou-se esse prazo para mais um ano, para permitir que sejam criadas todas as condições para receber os seus futuros alunos, que serão provenientes também de outros Estados africanos.

 

Com duração de dois anos, este mestrado contará com professores da África, com destaque para os da região ocidental, mas também da Europa, de modo a colocar os futuros mestrados em sintonia e interdependência com o resto do mundo, salientou.

 

Na visão dessa responsável, essa organização colaborativa no mestrado vai permitir não só um conhecimento sobre a integração regional através de pesquisas inovadoras, o diálogo e o intercâmbio sobre o tema, mas também a formação de uma nova geração de profissionais aptos a definirem estratégias de actuação em matéria de políticas de integração regional.

 

“Vamos internacionalizar este mestrado, o que torna maiores as exigências no plano académico, logístico e material”, justificou essa responsável, que enalteceu o facto de o diploma deste mestrado, a ser conferido pela Uni-CV, poder ainda ser validado por instituições parceiras.

 

A directora-geral do IAO salientou, por outro lado, a cooperação da instituição com a Universidade de Coimbra (Portugal) a nível das “Migrações e narrativas biográficas”, que resulta de um projecto de investigação colaborativa com o Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra e a Associação Internacional “Le Sujet dans la Cité” (LSC), desde 2010, para ficar concluído em 2014.

 

Esta pesquisa, de acordo com Djénéba Traoré, colocou no centro das atenções o migrante como uma pessoa com sensibilidade, histórias, dúvidas e esperanças e isso foi realmente novo, porquanto não falava de estatísticas.

 

Os investigadores foram ao terreno em Portugal saber junto dos emigrantes cabo-verdianos como era a sua integração na sociedade lusa, tendo esse trabalho dado uma grande contribuição para o conhecimento dessa parte da nação crioula, indicou.

 

A proposta do IAO é promover um segundo mestrado sobre esta temática em Cabo Verde ou numa das universidades oeste-africanas, ao mesmo tempo que pretende, com o apoio do ZAE, criar uma rede académica sobre a integração regional africana.

 

A grande novidade é que esta rede seria verdadeiramente africana e orientada pelo IAO e pelo Centro de Estudos para a Integração Europeia com o propósito de desenvolver pesquisas científicas sobre questões relativas à integração africana, faltando identificar e decidir que tipo de organização seria, explicou.

 

Uma opção seria criar uma associação que a daria toda a legalidade necessária para realizar o trabalho de pesquisa qualitativa e quantitativa pretendida sobre essa temática, nos planos político, económico e social, sublinhou.

 

O Instituto de África Ocidental foi criado conjuntamente pela Unesco, CEDEAO, UEMOA, Governo de Cabo Verde e do Grupo Ecobank  e, em Outubro de 2009, a Unesco aprovou a sua criação como um instituto de categoria II, cuja principal missão é promover o conhecimento baseado na investigação e a integração regional na África Ocidental.

 

Enquanto “think tank” regional, é um prestador de serviços para os actores e instituições de integração regional na África Ocidental procurando apoio analítico para melhorar os seus resultados e tornar o seu trabalho mais sustentável.

 

A investigação realizada pelo IAO beneficia instituições públicas nacionais e regionais, bem como o sector privado, a sociedade civil e os meios de comunicação social e contribui para a integração regional na Africa Ocidental através de actividades científicas e políticas de diálogo entre os decisores, instituições regionais e membros da sociedade civil.

 

15 de Abril de 2015

SAPO|Inforpress

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