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Lúcia Cardoso: “Regressei do (YALI) mais inspirada para continuar a trabalhar na área do empoderamento”

A mentora do projeto Badia Natural Cosmetics esteve durante seis semanas no Wagner College em Staten Island, na cidade de Nova Iorque, e a sua formação foi na área de Liderança Cívica.

Lúcia Cardoso é uma artista, ativista, empresária e mentora do projeto Badia Natural Cosmetics, uma marca de produtos naturais, feitos à mão, que tem como missão social de formar mulheres e ajudá-las a criar as suas próprias cooperativas e marcas para produção de sabão artesanal, utilizando recursos naturais das ilhas.

 

De regresso a Cabo Verde, contou ao SAPO, na primeira pessoa, como foram as seis semanas nos EUA.

 

“A minha experiência YALI foi válida sobretudo pela oportunidade de encontrar, conhecer e trocar experiências com jovens africanos que têm os mesmos interesses e estão a travar as mesmas batalhas nos seus respectivos países. Foi extremamente inspirador ouvir as suas incríveis histórias e conhecê-los. Penso que o YALI é uma experiência bastante pessoal, em que cada um tira e absorve o que precisa”.

 

“Também foi importante conhecer os desafios de outras realidades africanas, tentando perceber como podemos trabalhar juntos para desenhar soluções que se adaptem às nossas realidades particulares mas com problemas similares. Creio que as questões que enfrentamos, apesar de serem locais, são também comuns e globais, de uma forma ou de outra”.

 

Durante a sua estadia em Nova Iorque, Lúcia Cardoso teve a oportunidade de conhecer pessoas do meio artístico e empresarial, tendo estabelecido contactos e trocado ideias e projetos.

 

A cantora esteve durante seis semanas na Wagner College em Staten Island, onde fez uma formação na área de Liderança Cívica. “Tive a oportunidade de interagir com professores de diferentes áreas como educação, economia, comunicação, artes, saúde, entre outros”.

 

No que tange à formação, Lúcia fez o intercâmbio com outros ativistas que trabalham com Direitos Humanos, saúde pública, políticas culturais, educação e democracia. “Com o contacto com estes 25 jovens, regressei mais inspirada para continuar o meu trabalho em Cabo Verde com o empoderamento/empreendedorismo feminino e dos jovens, trabalhando sempre para explorar a criatividade e promover o desenvolvimento humano, que é o nosso maior recurso”.

 

Sobre o projeto Badia Natural Cosmetics, a cantora diz que vai continuar a desenvolver e expandir a marca de produtos naturais. “ O objetivo é empoderar as mulheres economicamente mas também estimular a produção local, artesanal, criativa, e uma nova visão de como utilizar as nossas plantas, recuperando o saber tradicional de fitoterapia. Tudo isso, criando maior consciência para a preservação da nossa riqueza ambiental e incentivando uma produção e consumo mais sustentáveis”.

 

Depois que voltou dos EUA, Lúcia iniciou uma colaboração com o projeto MAVA, das organizações de proteção das tartarugas na Boa Vista, que visa formar um grupo de mulheres.

 

É de recordar que as inscrições para o programa Mandela Washington Fellowship, no âmbito do programa Jovens Lideres Africanos, YALI, já se encontram abertas no site oficial do programa e decorrem até o dia 10 deste mês (outubro).

 

Lúcia Cardoso incentiva os jovens cabo-verdianos a se candidatarem ao YALI para expandirem as suas perspectivas a vários níveis e que possam voltar o seu foco para o continente africano onde imensas iniciativas estão em curso, com os jovens a liderarem.

 

“Temos todas as condições de mobilizar outros jovens e começar projetos próprios, inovadores, que possam contribuir para solucionar várias questões locais com que nos debatemos. O que temos que mudar é a atitude de apatia, individualismo, conformismo e falta de visão, criatividade e inovação na forma como pensamos as nossas vidas, as nossas ações e o nosso país”, conclui.

 

+ Dossier YALI no SAPO Estudante

 

@SAPO

 

05 de outubro de 2018

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