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Presidente do PAICV considera que a educação em Cabo Verde vai “de mal a pior”

Janira Hopffer Almada visitou os dois sindicatos representativos da classe docente, o Sindep e o Siprofis.

A presidente do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), Janira Hopffer Almada, disse ontem, 04,  que a educação em Cabo Verde vai “de mal a pior” e apelou ao Governo para dialogar com os representantes dos professores.

 

Janira Hopffer Almada, que ontem visitou os dois sindicatos representativos da classe docente, o Sindep e o Siprofis, afirmou que toda a reforma sistema de ensino que tem sido propalada pelo Governo, “mais não é do que uma organização da rede educativa feita mediante uma cópia de outras paragens sem as necessárias adaptações às especificidades de Cabo Verde”.

 

“Constamos que a educação vai muito mal neste país, eu diria até usando as palavras do representante sindical, que vai de mal a pior. Nós temos os agrupamentos escolares que para além de estarem a provocar o abandono escolar está a prejudicar os professores que têm muitas vezes de lecionar em três estabelecimentos num único dia”, disse.

 

Uma situação que preocupa o PAICV, sobretudo, porque, conforme indicou a líder do partido, acontece quando existem professores formados no desemprego.

 

Por outro lado, Janira Hopffer Almada disse ter constatado que é uma “grande falacia” todo o discurso de resolução dos pendentes que o Governo e em especial o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, vem propalado.

 

Nem o subsídio da redução da carga horária que remonta a 2012, e nem as reclassificações de 2014, que devem ser publicados em fevereiro, foram pagos, o que leva a líder do principal partido da oposição a concluir que este governo “usou a classe docente para vencer as eleições” quando era oposição.

 

“Vencidas as eleições, constatou que afinal não tinha condições financeiras para cumprir a sua promessa e agora está a esquivar-se dos compromissos que estabeleceu com os cabo-verdianos”, atestou denunciando que o Governo está a pretender uma revisão do estatuto do pessoal docente para retirar benefícios e direitos previstos.

 

Neste sentido, apelou ao Governo que atue com mais ponderação e dialogue com a classe docente, os seus representantes, e acabe com o “clima de medo” que tem promovido contra os professores que têm contratos precários.

 

Instanda a comentar a medida do executivo que levou à suspensão de salários a mais de 390 professores porque não sabe o paradeiro dos mesmos, Janira Hopffer Almada respondeu que a ministra da Educação Maritza Rosabal “acordou muito tarde”.

 

“Uma ministra a passar dois anos para confirmar que, eventualmente, existem professores que estejam a receber sem estarem contratados e a trabalhar é grave porque quer dizer que ela não está a fazer o seu trabalho de casa”, disse questionando sobre as provas de que efetivamente esses professores não foram contratados.

 

Por seu lado, o presidente do Sindep, Nicolau Furtado, adiantou que muitos professores cujo salario foi suspenso estão a trabalhar.

 

SAPO c/ Inforpress

 

05 de abril de 2018

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