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Primeiro liceu do país, criado há 150 anos, precisa de intervenção urgente

Os presidentes das câmaras municipais do Tarrafal e da Ribeira Brava lamentaram hoje o estado de degradação do seminário-liceu de São Nicolau.

Os apelos foram lançados hoje, na cidade da Praia, pelos presidentes das câmaras municipais do Tarrafal de São Nicolau, José Freitas, e da Ribeira Brava, Pedro Morais, durante um colóquio para assinalar os 150 anos da criação do seminário-liceu São José da ilha de São Nicolau.

 

Apontando a importância que o liceu teve na formação dos cabo-verdianos durante os 50 anos de seu funcionamento - foi encerrado em 1917 e transferido para a cidade da Praia -, os dois autarcas lamentaram, porém, o seu atual estado de degradação e pediram medidas urgentes para a sua proteção e preservação.

 

"O primeiro estabelecimento de ensino que Portugal fundou em África, ainda orgulho do povo de São Nicolau, nem sombra chega a ser aquilo que foi", lamentou José Freitas.

 

Segundo o autarca, parte das dependências foram demolidas ou estão em ruínas, muito do espólio perdeu-se ou está em mau estado de conservação, além da nave principal a degradar-se e parte das salas e aposentos devolutos.

 

Por isso, o autarca considerou ser urgente a adoção de medidas de proteção e salvaguarda do património, como escavações arqueológicas, inventário e tratamento do espólio, tratamento e catalogação do que restou dos arquivos e musealização do sítio.

 

Também o presidente da Câmara Municipal da Ribeira Brava, Pedro Morais, disse que o património requer uma "atenção aturada", restauro, reabilitação e organização do espaço exterior, para devolver a sua grandeza e prestígio de outrora.

 

"É dever de todos zelar pela sua manutenção e dinamização", apelou, indicando, no entanto, que a Câmara Municipal da Ribeira Brava tem uma "responsabilidade acrescida" na matéria, já que é onde se situa o património.

 

Questionado sobre as preocupações dos autarcas, o ministro da Cultura e das Indústrias Criativas cabo-verdiano, Abraão Vicente, disse que o Governo está em contactos a nível internacional para incluir a cultura no pacote das áreas de prioridade.

 

Considerando que o principal desafio cultural de Cabo Verde é preservar o seu património e a partir dele construir novos projetos, o ministro garantiu que, à semelhança de outros no arquipélago, o Governo está a trabalhar para fazer as respetivas recuperações.

 

O colóquio é organizado pela Universidade Pública de Cabo Verde (UNI-CV), cuja reitora, Judite Nascimento, disse que cabe a todos contribuir para preservação da memória, mas garantiu que está a desenhar projetos com as câmaras municipais para valorização do património.

 

Durante o evento, cujo ato de abertura foi presidido pelo Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, serão debatidos vários temas, como o percurso, valor simbólico e importância na difusão do saber, formação religiosa e construção da identidade nacional cabo-verdiana.

 

Lusa

 

3 de julho de 2017

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