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Programa de colaboração entre universidades britânica e africanas pode estender-se a países lusófonos

Um programa de colaboração entre a universidade britânica de Lancaster e universidades no Gana, Nigéria, Malaui, Zâmbia, Quénia e Botsuana poderá incluir no futuro países lusófonos, disse a investigadora portuguesa Joana Zozimo.

O programa 'Recirculate' [http://www.recirculate.global/] usa parcerias para permitir que investigadores africanos colaborem com colegas e empresários britânicos para encontrarem soluções para as suas comunidades para o uso e a gestão da água, incluindo redes sanitárias, geração de energia ou agricultura.

Financiado com 6,8 milhões de libras (7,7 milhões de euros) pelo Global Challenges Research Fund [Fundo de Investigação para os Desafios Globais], o projeto centra-se na eco-inovação, que promove a interdisciplinaridade académica e a colaboração com a indústria.

"O projeto junta Management School [Faculdade de Gestão], Engenharia, Instituto do Ambiente e Economia da Saúde para criar uma colaboração muito forte a nível interdisciplinar, que visa explorar como diferentes disciplinas olham para este tema da água", afirmou a portuguesa à agência Lusa.

Lancaster tem especialistas em ciência ambientais, fitotecnia, engenharia, microbiologia, ciências sociais e gestão que poderão ajudar com respostas que permitam um uso mais eficiente dos recursos naturais, ao mesmo tempo que são desenvolvidas oportunidades económicas.

De acordo com os responsáveis do Recirculate, 50% dos africanos vivem em áreas sem água suficiente e prevê-se que esse número aumente para 800 milhões de pessoas até 2025.

Estimam também que, devido à poluição das águas em zonas urbanas, 96% da agricultura africana depende atualmente de águas pluviais.

O projeto, acrescentou Joana Zozimo, tem uma "componente grande de ?capacity building', ou seja, de dar instrumentos para que os próprios investigadores africanos procurem soluções e façam investigação para serem eles a combaterem os problemas nos seus próprios países".

Atualmente investigadora associada à Universidade de Lancaster, a portuguesa centra o seu trabalho no estudo e avaliação do modelo de colaboração do projeto, acompanhando a forma como interagem e colaboram os investigadores de Lancaster e os parceiros africanos.

"Todos os anos são feitos workshops no Gana e Nigéria, durante os quais recolho dados e entrevisto participantes, como investigadores e diretores das universidades. Lancaster recebe depois esses investigadores e vejo como são recebidos, como está a avançar o trabalho e como é que o ?Recirculate' os apoia no processo de investigação académica", explicou.

Com experiência de trabalho em cooperação com Moçambique e um doutoramento em educação em Lancaster, Joana Zozimo quer aproveitar a parceria recente entre a universidade britânica e a Universidade Nova de Lisboa para estender o programa para países lusófonos.

"Penso que podem beneficiar deste pensamento mais interdisciplinar de temáticas que são mais comuns em países africanos, e como é que pensamento que se produz nas universidades [europeias] pode chegar aos investigadores desses países", defendeu.

28 Junho 2018
Fonte: Agência Lusa

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