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Santa Catarina: Conferencista defende introdução do crioulo e batuque no sistema educativo cabo-verdiano

O professor da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB, Brasil) defendeu esta segunda-feira, 19, em Assomada, a introdução do crioulo e do batuque como uma disciplina obrigatória no sistema educativo cabo-verdiano.

Fausto António, que falava em declarações à Inforpress, à margem da Conferência Internacional “Cultura, Diáspora e Desafios Emancipatórios para a África Contemporânea”, que decorre até quarta-feira (21), no Campus da Universidade de Santiago, propôs ainda uma mudança nos currículos das instituições, com ênfase nas manifestações culturais.

 

“O tema central desta conferência é o trabalho do ponto vista de sistematização de conhecimento, o que implica mudança curricular. Então a conferência tem como um objetivo central a produção de novas leituras das disciplinas históricas, considerando a África e a diáspora e também a sugestão de disciplinas estabilizadas pelos movimentos culturais negros, africanos e diaspórico e pelo sistema cultural negro africano”, explicou o académico.

 

Tomando como exemplo a experiência da UNILAB, apontou o ingresso das disciplinas como os fundamentos filosóficos e práticos do samba”, fundamentos filosóficos e práticos da capoeira e as manifestações culturais negro brasileiras e africanas dos lugares naquela instituição brasileira.

 

“Esse ingresso vai repensar os currículos que são egocêntricos e esquizofrénicos na medida que eles não refletem a nossa realidade e que não têm uma relação com o nosso quotidiano, como é o caso do crioulo falado em Cabo Verde e do batuque que devem constar como uma disciplina obrigatória no sistema oficial de ensino de Cabo Verde”, sublinhou, propondo uma mudança do sistema interno das instituições, para que possa dar lugar a estas manifestações no trabalho intelectual.

 

É que segundo ele, não adianta trazer as manifestações só para fazer abertura e encerramentos de eventos, lembrando que não é esta a proposta, até porque isto já existe em todas as universidades.

 

“Essas manifestações devem ocupar o espaço como disciplinas históricas, da mesma forma que temos as disciplinas históricas como a Geografia, a Língua Portuguesa e a Literatura que devem ser renovadas, considerando a África e a diáspora e as nossas necessidades, e não por simplesmente reproduzir as visões consagradas por leituras feitas a partir da Europa”, enfatizou.

 

Relativamente à conferência, Fausto António, que também faz parte da comissão organizadora do evento, disse à Inforpress que o objetivo final da mesma é pensar projetos emancipatórios para a África e para a diáspora”.

 

Trabalhar a aproximação da África à diáspora do ponto de vista territorial, conceptual, teórico, epistemológicos e de aproximações, também do ponto de vista de partilha de políticas experimentadas ou no continente africano para diáspora, ou vice-versa, são algumas das discussões que considerou de “pertinentes” e que vão estar em debate durante os três dias.

 

Fausto António vai ministrar uma oficina na quarta-feira sobre “os fundamentos filosóficos e práticos do samba, da capoeira e do batuque de Cabo Verde”.

 

Do evento promovido pela US, em parceria com o Centro de Estudos Interdisciplinares Africanos e das Diásporas da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (CEIAFRICA-UNILAB Malês) e a Afrocentricidade Internacional Cabo Verde, comportará palestras, mesas redondas, oficinas e momentos culturais.

 

A abertura do encontro presidido pelo reitor da US, Gabriel Fernandes, e que reúne docentes e conferencistas da UNILAB, contou com participação dos estudantes daquela instituição do Ensino Superior do interior de Santiago.

 

SAPO c/ Inforpress

 

20 de novembro de 2018

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