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Uni-CV, IPC e Universidade de Lisboa relançam a coleção da História Geral de Cabo Verde

O seminário visa lançar uma base para uma discussão mais alargada.

A Universidade de Cabo Verde (Uni-CV), o Instituto do Património Cultural (IPC), e a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL) estão a “relançar” as bases para a elaboração do quarto volume da História Geral de Cabo Verde.

 

Para tal, estas três instituições organizaram ontem, dia 6, no Auditório da UNICV, na Cidade da Praia um Seminário sobre a “História de Cabo Verde”.

 

Segundo o presidente do IPC, Jair Fernandes, este seminário visa lançar uma base para uma discussão mais alargada entre o Instituto do Património Cultural, a Universidade Pública e os investigadores sobre a necessidade de elaborar o quarto volume da História Geral de Cabo Verde.

 

“Desde 2005 que não se deu a continuidade ao quarto volume, que reflete em grande medida a segunda metade do século XVIII até a primeira metade do século XX, por isso há necessidade de dar continuidade a este documento”, explicou.

 

De acordo com este responsável, há ainda a necessidade de trazer neste documento novas fontes, caso particular de arqueologia, tradição oral e uma multidisciplinaridade, ou seja, a inclusão da arqueologia, sociologia e da antropologia.

 

Paralelamente a esta discussão, este seminário vai trabalhar as cartas arqueológicas a nível nacional e, em particular, ajuntou, vai-se iniciar com a de Cidade Velha, que é um instrumento de gestão de território exigido pela UNESCO.

 

Jair Fernandes lembrou que já existe um protocolo de colaboração entre a UNICV e o IPC, realçando, no entanto, que durante este seminário vão traçar as linhas para assinar um memorando de entendimento tripartido que inclui a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, através dos seus Centros de História de Arqueologia, para dar corpo científico e académico ao projeto.

 

Por sua vez, o professor da UNICV, António Correia e Silva disse que a universidade pretende despoletar um conjunto de ações com este seminário e relançar estudos de história tanto a nível de licenciatura, como em pós-graduação.

 

Mas para isso, propõe que se aproveite a experiência da Faculdade de Letras de Lisboa, para que possam cooperar tanto na dimensão do currículo, de troca de professores e de material didático, mas também na criação de uma via de arqueologia na licenciatura em História, e no lançamento de uma pós-graduação em arqueologia na UNICV e na criação de um núcleo de estudos africanos.

 

A Uni-CV, segundo disse, tem na forja a criação de uma Cátedra de História e Património e, a partir dessa cátedra, vão “desenvolver uma rede de cooperação com as universidades portuguesas, espanhola, brasileiras, americanas, e outras, para que a área da história tenha maior pujança no quadro da universidade e no país”.

 

Num dos painéis em debate “Fará sentido um projeto de resgate documental pela via da publicação de corpos documentais?”, o conservador do Arquivo Histórico Nacional de Cabo Verde, Martinho Brito, disse que a missão do arquivo é de resgatar os documentos da História de Cabo Verde ainda que de forma digital, para que todas as universidades do país tenham oportunidade de acesso.

 

O grosso de toda a documentação da história do país, conforme disse está em Portugal e nos Estados Unidos da América, mas ainda há documentos em Paris e Espanha.

 

“A nossa missão é de tentar fazer o resgate e hoje viemos cá para ouvir os colegas e parceiros para vermos a melhor forma de o fazermos, porque já vimos que sozinho não conseguimos”, disse, informando que iniciaram este processo com Portugal, mas que ainda falta guardar e tratar os documentos para trazer para Cabo Verde.

 

Martinho Brito informou ainda, que em dezembro desloca-se a Portugal para tratar deste processo que até agora já conta com mais de três mil pastas digitalizadas.

 

Questionado se o arquivo tem capacidade para albergar todos esses documentos, o conservador assegurou que em termos de espaço físico o arquivo está esgotado, mas em termos de espaço web digital esta instituição tem um dos maiores servidores do país em termos documentais.

 

Este seminário realizado na Cidade da Praia foi espaço para discutir ainda temas como “A história Geral de Cabo Verde e a necessidade de desbravar novas fontes, caso da arqueologia” e a “História Geral de Cabo Verde: Balanço de uma experiência de cooperação, o impacto dos volumes publicados e as perspetivas”.

 

SAPO/Inforpress

 

7 de novembro de 2018

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